quarta-feira, 4 de abril de 2018

Moradores de ocupações ilegais urbanas no ensino superior em Recife




Artigo: SANTANA, O. A. Moradores de ocupações ilegais urbanas no ensino superior em Recife. Revista de Educação Pública, v. 27, p. 133-156, 2018.

Os objetivos deste trabalho foram quantificar e analisar a expansão das ocupações ilegais urbanas e os moradores dessas ocupações egressos do ensino superior, bem como analisar esses reflexos no mercado de trabalho e na aquisição de novas habitações, no período pós-neoliberalismo (2003-2015), no município de Recife. Análise quantitativas e qualitativas foram utilizadas. Os eixos analíticos qualitativos foram: a) potências individuais e coletivas; b) finalidade da educação; c) posições hegemônicas e contra-hegemônicas. Trânsitos de potências (coletiva-individual-coletiva) e de hegemonias (contra-hegemonia-hegemonia) foram registrados a partir da inclusão na educação e com o esteio de políticas federais, fundamentais no processo.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Ensino de Ciências Ambientais rumo à profissionalização: uma análise cientométrica



Artigo: SANTANA, O. A.; LIMA, C. DE; MELO, R. B. DE; DUARTE, C. V. DE M. C.; SOUZA, S. C. DE; LIMA, M. L. DE F.; ARAGÃO, I. D.; ALMEIDA CORTEZ, J. S. DE. Ensino de Ciências Ambientais rumo à profissionalização: uma análise cientométrica. RBPG. REVISTA BRASILEIRA DE PÓS-GRADUAÇÃO, v. 14, p. 1-17, 2017.


A profissionalização é um processo que implica a construção do fundamento epistemológico sobre a formação de atores envolvidos na produção de determinados serviços e produtos. Partindo dessa perspectiva, este trabalho objetivou resgatar as correntes filosóficas e ações pedagógicas norteadoras do processo de profissionalização do Ensino de Ciências Ambientais, mediante análise cientométrica sobre mais de 60 mil publicações extraídas de bases mundiais de informação e divulgação científica. Os dados obtidos revelaram que as publicações foram dinâmicas ao longo do tempo. A presença ou ausência do “homem na natureza” como forma de ação, e a sistematização de conceitos, direcionaram os caminhos lexicais e metodológicos das novas publicações, dando suporte literário, ao longo tempo, à dinâmica da formação do profissional das Ciências Ambientais.

Ver artigo completo:  doi: 10.21713/2358-2332.2017.v14.1443

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Antropologia da Docência Universitária XXIV: a violência simbólica contra a universidade

por O. A. Santana


Departamento de Biofísica e Radiobiologia/UFPE
18/03/2017


Hipótese: Há uma permissividade da violência simbólica contra a universidade pública. Quando os governos (acima de um projeto de Estado), decidem que a universidade pública tenha um coração totalmente técnico, ou seja, transformam a universidade pública em uma escola terciária que entregará algum título de capitalização a alguém, se vê o esvaziamento do espírito dela: da sua identidade, da sua natureza, da sua ideia, da sua função e da sua missão (SANTANA, 2011 e 2016). Aqui, não se precisa mencionar sobre o caminhar do Plano Nacional da Educação e de seu Fórum na travessia para uma distopia, no qual a universidade pública está inserida. Isso no sentido positivo da distopia: a não protelação da revolução educacional. Enquanto isso, na sala da ‘mídia hegemônica’ (justiça), existe a construção de que essa universidade é um ‘monstro subversivo’, habitada por professores anacrônicos e alunos desqualificados para os ‘Tempos Modernos’. Embora, algumas instâncias de razão social da universidade já cedem a lógica do capital, mas não enxergam o capitalismo tardio (spätkapitalismus). Aí, nessa narrativa, vêm as empresas midiáticas (todas têm um instituto ou setor de ‘Educação’ associado) e mostram o caminho: Por que não seguir o exemplo das ‘irmãs’ faculdades privadas?: férteis geradora de números, para o mal da ‘república’ e para o bem dos ‘negócios do colonizador’. “Não me venha com ‘abáñeenga’, escreva em inglês” – diz o bem colonizado. Se a finalidade com a educação é o ‘eterno crescimento dos índices econômicos’ (GEORGESCU-ROEGEN, 1979), que se comece a ‘pancadaria governamental’ contra a universidade pública: austeridade, antidialogicidade, tentativa de elitização dos ingressos, busca incessante de estatísticas significativas, etc... Desculpe as contradições e a redundância do discurso, mas com a derrocada do espírito e pela desvalorização cultural resultante da ‘pancadaria’, a universidade pública fica a sangrar, não tem importância para o indivíduo capitalizado, ou tem apenas por um período de sua vida (graduação). Há um rebaixamento dessa instituição frente a um ‘poder simbólico’, rebaixamento a um amontoado de prédios no subúrbio, que as vezes, por falta de manutenção, até enfeiam a cidade. Fica esse sentimento, principalmente naquele que não foi incluído no sistema público de educação superior, para não dizer excluído. O sentimento de pertencimento da universidade pelo urbano se esvai, ela só se destaca quando existe greve, quando para o ‘trânsito’. E nesse vazio, “o que é público é de todos, e ao mesmo tempo, não é de ninguém” – pensam alguns ‘republicanos’. Quando se depreda a universidade pública, não se depreda apenas algo físico, mas se assola sua identidade, sua natureza, sua ideia, sua função e sua missão. E pós-depredação, se monta o ‘teatro essencial’, com muitos solistas em performances.

Referências:

SANTANA, O. A. Fragmentação dos movimentos sociais nas universidades da América Latina: 1990-2015. Universidade e Sociedade (Brasília), v. 57, p. 36-45, 2016.

SANTANA, O. A. Docentes de pós-graduação: grupo de risco de doenças cardiovasculares. Acta Scientiarum. Education (Online), v. 33, p. 219-226, 2011.

GEORGESCU-ROEGEN, N. La décroissance: entropie, écologie, économie. Paris: P.M. Favre, 1979.